A Operação Carne Fraca, realizada pela Polícia Federal, na última sexta-feira (17), que descobriu um esquema de corrupção na comercialização de alimentos produzidos por frigoríficos sem a devida fiscalização, repercutiu entre os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta segunda-feira (20).

De um lado, vereadores defenderam a ação da PF e até a discussão aprofundada com os órgãos de Vigilância Sanitária e de Defesa do Consumidor. Do outro, houve àqueles que criticaram a ação.

O presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Casa, vereador Álvaro Campelo (PP), acha importante debater a questão com a participação também de representantes da delegacia e de demais órgãos de Defesa do Consumidor até para começarem a fazer fiscalizações na cidade.

“E que essas operações não sejam sazonais, mas virem rotineiras, pois estamos falando de vidas humanas. Quantos óbitos não ocorreram e pessoas foram hospitalizadas por conta dessas ocorrências, desse escândalo mundial”, disse o vereador, ao assegurar que, na quinta-feira (23), reúne-se com os representantes da Visa Manaus e com o delegado de Defesa do Consumidor para que a Casa possa colaborar e não permita que a população venha a sofrer com as consequências desse escândalo.

Marcelo Serafim (PSB), por sua vez, contemporizou, criticando o fato da Polícia Federal, em dois anos, segundo ele, ter analisado uma única amostra do produto. “A PF tem que prestar atenção na irresponsabilidade de seus atos. Analisar apenas uma amostra de carne e colocar sob suspeição toda a carne do Brasil é algo que tem que ser levado em consideração por esta Casa”, disse.

Outro item, segundo o vereador, é que colocam o problema como um grande escândalo mundial, que adicionavam ácido na carne, como se fosse ácido sulfúrico, que mata; papelão na carne, era a embalagem onde a carne era embalada; e ainda colocaram a linguiça como se tivesse papelão. “O resultado disso tudo é que o Brasil acaba de sofrer punição da União Europeia. Nós estamos com as exportações suspendas das empresas que foram citadas. É gravíssimo. Quebra a balança comercial brasileira. A Polícia Federal precisa ter responsabilidade nos seus atos. Fizeram uma grande operação policialesca, onde, de todos os quatro mil frigoríficos, apenas um teve sua carne analisada. E no final vamos ter uma ação que só prejudicou o Brasil, a balança comercial e sem prova nenhuma. Montaram um grande circo que só prejudicou Brasil”, afirmou.

Álvaro Campelo discorda de Marcelo e reafirma que o ácido sórbico encontrado na carne é utilizado para conservação de alimentos estragados. “Foi uma ação exemplar da PF que merece nosso apoio”, disse ele, que destacou, ainda, que 80% da produção desses frigoríficos são para o consumo interno e apenas 20% exportam para a União Europeia.

O vereador Coronel Gilvandro Mota (PTC) entrou na discussão e afirmou que também é preciso olhar e ver que essas grandes empresas representam na economia nacional e já são responsáveis, nos últimos seis meses, por quase R$ 3 milhões das exportações. “A nossa PF deveria ter prudência na divulgação, pois não temos nada concreto e, com a suspensão das exportações, já apresentam dificuldades em termos de patrimônio na bolsa de valores”, disse.

 

 

 

 

 

 

 

Texto: Nely Pedroso – DIRCOM/CMM

Foto: Tiago Corrêa - DIRCOM/CMM


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