Raiff Matos defende ações de prevenção à violência contra professores em Manaus

Vereador apresenta PL que pretende ampliar conscientização sobre o problema que está virando uma “epidemia” em todo o país

Vereador defende  maior participação das famílias e ações do poder público na formação de crianças e adolescentes, visando conscientizar sobre respeito, autoridade e convivência nas escolas - Foto: Ney Fábio/Assessoria

A conscientização e a prevenção são apontadas pelo vereador Raiff Matos (PL) como saídas para enfrentar a violência contra professores dentro das escolas. Essas são a base do Projeto de Lei nº 459/2026, que cria uma campanha permanente de proteção, amparo e valorização dos professores e demais trabalhadores da educação. A proposta aguarda deliberação pelo Plenário da Câmara Municipal de Manaus para iniciar tramitação na Casa Legislativa.

A iniciativa ganha ainda mais importância e urgência após o caso recente de um professor esfaqueado por um aluno em uma escola de Manaus. O episódio levou o parlamentar a cobrar mais medidas de proteção aos profissionais da educação.

“É simplesmente revoltante. Um professor esfaqueado por aluno dentro de uma escola aqui em Manaus. Até quando vamos aceitar que quem entra em sala de aula para ensinar tenha que trabalhar com medo?”, questionou Raiff Matos.

Para o vereador, o enfrentamento da violência precisa começar antes que os conflitos cheguem à sala de aula. Nesse processo, ele defende maior participação das famílias na formação de crianças e adolescentes, além de ações do poder público e da comunidade escolar para conscientizar sobre respeito, autoridade e convivência dentro das escolas.

O PL 459/2026 estabelece uma campanha permanente com ações de conscientização, apoio e segurança para professores e profissionais da educação. A proposta também prevê uma abordagem voltada à valorização desses trabalhadores e à prevenção de situações de violência no ambiente escolar.

“Se o professor precisa ter medo de entrar numa sala de aula, a educação já perdeu antes mesmo da aula começar. A gente cobra resultado, disciplina e uma educação melhor para os nossos filhos. Mas quem está protegendo esse professor?”, afirmou Raiff.

Os números mostram que o problema vai muito além de casos isolados. Pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP), realizada com 1.144 professores, revela que 65% dos entrevistados já sofreram algum tipo de agressão em sala de aula ou no ambiente escolar. A violência verbal é a mais frequente, citada por 71% dos participantes. Agressões psicológicas e morais aparecem em 58% dos relatos. As agressões institucionais representam 27% e as físicas, 19%.

O cenário brasileiro também aparece com destaque no levantamento Talis 2024, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A pesquisa ouviu cerca de 280 mil professores e diretores em 55 países. No Brasil, 47% dos professores disseram sofrer intimidação ou abuso verbal por parte de alunos como fonte de estresse. A média internacional ficou em cerca de 18%.

Estatísticas apontam que mais de 65 mil professores se afastam anualmente por colapsos na saúde mental motivados por fatores institucionais e de segurança. Essa realidade tem provocado um abandono em massa da profissão (quase 80% dos professores ativos já cogitaram deixar a carreira) e alimenta o risco de um “apagão de professores” no Brasil para as próximas décadas.

Para Raiff Matos, os números reforçam a necessidade de agir antes que novas ocorrências terminem em agressões mais graves. “Não estamos falando de vingança. Estamos falando de prevenção, responsabilidade e justiça. Quem dedica a vida a ensinar precisa ser respeitado e protegido”, afirmou.

O projeto aguarda deliberação a fim de seguir para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Redação. O vereador pretende acompanhar a tramitação e ampliar a discussão sobre medidas de prevenção e proteção nas escolas da capital.

Texto: Fred Novaes (assessoria de imprensa do parlamentar)

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