Na manhã desta quinta-feira (12 de março), o plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM) recebeu a Sessão Solene de apresentação da Campanha da Fraternidade 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”. A iniciativa foi proposta pelo vereador Zé Ricardo (PT) e reuniu representantes da Igreja, movimentos sociais e instituições que atuam na defesa do direito à moradia.
Participaram da solenidade o bispo auxiliar de Manaus, Dom Joaquim Hudson; o diretor do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), padre Silvio Marques; o assessor de projetos sociais da Habitat Brasil, Adnamar Mota; a representante do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), Neyla Gomes; a secretária executiva do Fundo de Promoção Social e Erradicação da Pobreza do Governo do Estado, Gláucia Oliveira Nunes; e a coordenadora técnica social do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Marcela Amazonas.
Durante a sessão, Zé Ricardo destacou os grandes desafios habitacionais de Manaus, uma cidade que cresce rapidamente, mas ainda enfrenta falta de políticas públicas de habitação. O vereador lembrou que existem milhares de moradia em áreas de risco, além de bairros onde faltam infraestrutura básica e serviços públicos. Segundo ele, Manaus está entre as cidades brasileiras com grandes áreas de ocupações precárias, realidade que precisa ser enfrentada com urgência.
“A Campanha da Fraternidade traz à tona essa realidade e nos chama a refletir e cobrar do poder público políticas efetivas de habitação. Precisamos discutir o uso das terras públicas e garantir moradia digna para quem mais precisa”, afirmou o parlamentar. Ele também informou que já solicitou a realização de uma audiência pública na CMM, com a participação de representantes do poder público e da sociedade civil, para debater políticas concretas que garantam moradia adequada e segura para a população de Manaus.
O bispo auxiliar de Manaus, Dom Joaquim Hudson, ressaltou que o tema da campanha toca diretamente na dignidade humana. Ele lembrou a caminhada do povo bíblico em busca da Terra Prometida como símbolo da luta por um lugar para viver. “Morar é uma questão de dignidade. Precisamos discutir o déficit habitacional, o acesso à terra e as condições de moradia digna. Em tempos de crise climática, os mais pobres são os que mais sofrem, principalmente aqueles que vivem em áreas de alagamento e vulnerabilidade”, destacou. Segundo ele, a Campanha da Fraternidade convida a sociedade a unir forças para enfrentar esse problema.
O assessor da Habitat Brasil, Adnamar Mota, apresentou um panorama das ações da Campanha Despejo Zero, que completa cinco anos de mobilização em defesa do direito à moradia. Ele ressaltou que ainda existem muitas famílias em Manaus ameaçadas de despejo, especialmente povos indígenas que vivem em áreas urbanas, reforçando a necessidade de políticas públicas que garantam proteção e segurança habitacional.
A coordenadora do Ipaam, Marcela Amazonas, destacou o impacto da falta de moradia digna sobre as mulheres. “As mulheres, especialmente as chefes de família, são as que mais sofrem e lutam diariamente para garantir um lar digno para seus filhos. Moradia não pode ser tratada apenas como propriedade, mas como um direito fundamental”, afirmou.
Emocionada, Neyla Gomes, do Movimento Nacional de Luta por Moradia, lembrou que as Campanhas da Fraternidade sempre tiveram papel importante na mobilização social. Ela recordou que uma campanha anterior, com o lema: “Entre nós está e não conhecemos”, inspirou muitas pessoas a enxergar os que vivem em situação de invisibilidade social. “Foi esse chamado que me impulsionou a lutar por moradia digna para quem mais precisa. Hoje seguimos firmes nesse movimento que defende o direito à casa e à dignidade”, declarou.
Ao encerrar a sessão, Zé Ricardo reafirmou seu compromisso com a luta por moradia digna em Manaus. Segundo ele, o mandato continuará defendendo políticas habitacionais, denunciando as desigualdades e cobrando ações do poder público. “A luta por moradia é uma luta por dignidade e justiça social. Vamos continuar firmes, fortalecendo esse debate e defendendo esse direito para quem mais precisa”, concluiu.
Texto: Jane Coelho (assessoria de imprensa do parlamentar)






